sábado, 27 de outubro de 2007

Filhos

Eu acho que esta gente nova anda a adiar muito essa coisa de ter os cachopos, e isso é mau, porque nós precisamos dos cachopos, ora eles são tão engraçados! Eu acho muito mau que essas sirigaitas andem por aí no forrobodó com o primeiro que lhes aparece à frente, e filhos que é muito bom, nada! Mas não caiamos em exagero, porque o meu netinho, o Filipinho, sacana do cachopo a primeira moça que lhe apareceu à frente teve logo filhos, e gémeos, dor de cabeça a dobrar que o cachopo só tem 17 anos, sem dúvida uma criança inocente.
No meu tempo, casávamos cedo e tinhamos filhos cedo, com muito amor, também se não os quisessemos ter, tinhamos os catraios à mesma que esta coisa das borrachas que eles metem lá no respectivo dito cujo não havia no meu tempo. E se não eramos casados, se estavamos grávidas, casávamos! Mas qual dessas coisas indecentes, qual acto público de fornicação, a gente fazia tudo às escondidas, e se eramos apanhados na rua... Olé, que estoirava a guerra, levavam multa, carecada e nós cachopas tinhamos direito a expulsão de casa e eramos deserdadas!
Eu cá, casei aos 18 com o meu Zé (que coitadinho já faleceu), tinha ele 25 anos, e nem tinha eu 19 já tinha nascido a nossa Laurinha! Os sacrifícios que tivemos que fazer, para criar a nossa menina. Mas é com orgulho que eu digo que ela teve muito amor e carinho e muitos miminhos! A ela, e aos irmãos também, nunca lhes faltou nada! Tinha o Zé que trabalhar o dia todo lá nos leites para trazer o dinheirinho, e eu que coser muitas coisas, fazer muita roupinha e muitos arranjos e nos tempos que sobravam fazia comidinha para fora. A minha Laurinha, bonitinha, nasceu em 1954, era tempo de sacrifício, mas teve sempre tudo, não é como esses pais desgraçados que deixam os filhos abandonados nas creches e nos jardins-escola, das 7 da manhã às 8 da noite.
Depois da Laura, veio a Suzete, tinha a Laurinha quatro anos, sofreu tanto coitadinha por lhe ter tirado a maminha, logo depois veio a irmã. Sorte que não foi muito ciumenta. Dois anos depois, estava tudo encaminhadinho e lá em casa tinhamos coisas boas, nasceu o António, mas teve morte súbita aos 2 meses. Coitadinho. Comecei então a ouvir falar do que hoje chamamos planeamento familiar, e de uma tal pílula, que comecei a tomar. Acidentes, 25 anos depois, em 1981, nasceu o João Maria. Já eu podia ser avó dele, pois façam as contas, eu não devia dizer, mas nasci em 1936, por esta altura já tinha 45 anos. Mas não foi para isto que aqui vim.
Eu vim aqui só para dizer que isto agora é indecente, faz-me impressão essas mães solteiras e divorciadas e essas sapatas que se juntam e querem ter filhos com um homem que é larilas, não percebo, isto antigamente não era assim, e eu tenho pena dos cachopos, porque depois, sim, venham-se queixar que estamos a formar um país de vândalos, coitados, não têm a culpa que os pais sejam mal criadões, os meus filhos é que não são assim, nem o pai os deixava ser, nem eu deixo agora, ainda ontem o João, raça do moço, levou uma palmada naquele rabo porque o apanhei na marmelada com uma cachopa, isto há lá coisas!...